Diversos fatos históricos contribuíram e explicam o tipo de agricultura convencional que temos hoje, e atrelada a isso o uso intensivo de agrotóxicos. O próprio êxodo rural, impulsionado também pela Revolução Industrial, fez com que muitos habitantes de áreas agrícolas migrassem para as cidades em busca de melhores condições vida. O número de famílias reduzidas que permaneceram no campo fez com que a mão-de-obra se tornasse escassa e insuficiente para suprir a demanda crescente de alimentos exigida pelo comércio urbano e rural.
Logo após a 2ª Guerra Mundial, as pesquisas científicas buscando o aumento da produção agrícola se tornaram uma prioridade, uma vez que, os rastros de destruição causada pelo conflito da guerra impactaram na produção de alimentos no campo de diversas nações europeias. Em 1966, na Conferência de Washington, foi criado um projeto que tinha como objetivo aumentar a produção agrícola em escala mundial, visando a redução ou até mesmo, a erradicação da fome no mundo. Este projeto, chamado de “Revolução Verde” consistia em um modelo baseado no uso intensivo de agrotóxicos na agricultura, além de um conjunto de estratégias tecnológicas como: seleção de sementes, fertilização artificial do solo e mecanização agrícola.
O modelo de agricultura foi mudando, porém, apenas proprietários de terras com maior poder aquisitivo conseguiram ter acesso as tecnologias da “Revolução Verde”, sendo inacessível a pequenos proprietários. Com isso, obviamente a “Revolução” passou longe de cumprir seu objetivo principal. A Revolução Verde possibilitou o aumento da produção de alimentos e consequentemente, a queda nos preços dos alimentos. Em contrapartida, não solucionou o problema da fome, aumentou a concentração de terras dos proprietários de terras que já eram mais ricos, suprimindo o pequeno produtor que sem condições de obter o pacote tecnológico, acabavam migrando para outros locais.
Segundo a Lei Federal 7.802 de 11/07/89, agrotóxico é definido como: “Produtos e os agentes de processos químicos, físicos ou biológicos (…) cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. Neste caso, um agrotóxico pode ser um pesticida (controle de insetos-pragas), fungicida (controle de fungos) ou herbicida (controle de plantas daninhas).
O uso do agrotóxico proporciona um controle quase sempre eficiente e imediatista, quando comparado a outros métodos de controle utilizados na agricultura, porém seu emprego contínuo e na maioria das vezes de forma errônea, têm acarretado impactos severamente negativos para o homem, animais e para o meio ambiente. Muitos agricultores desconhecem o perigo que os agrotóxicos podem causar. Alguns não fazem uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual) durante a aplicação, não respeitam o prazo de carência nem o intervalo de reentrada na área onde foi realizado aplicação.
Com o manejo inadequado desses produtos e com uma fiscalização fitossanitária ineficiente, os riscos diretos na saúde de quem faz a aplicação e que está exposto frequentemente a esses produtos são inúmeros, podendo gerar efeitos agudos e/ou crônicos. Além disso, alimentos acabam indo para o consumidor com resíduos de agrotóxicos que também podem ocasionar diversos problemas. Dessa forma, fica um questionamento pra todos nós. O que estamos comendo?
Autora: Ludimila Peçanha
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